Comecei a fazer um robô (crawler) para encontrar imóveis com base nos bairros e a busca se passa em grandes portais de imóveis e sites pequenos de imobiliárias ou corretores solo. Notei que há uma grande diferença nas técnicas SEO usadas nos diversos portais.

Hoje o portal Viva Real, sem dúvida é o campeão no quesito busca orgânica. Exatamente isso que eu quero colocar em pauta, comparando-o com um concorrente direto que possui a mesma quantidade de imóveis, com conteúdo de qualidade, relevante, mas… falta algo para ele aparecer melhor nas buscas do Google.

Otimização de para buscadores como o Google, Bing e Yahoo! envolve mais do que códigos e estrutura da página, mas esta é uma parte fundamental do processo.

Neste estudo de caso escolhi o mesmo imóvel, da mesma imobiliária em ambos os sites. Vou basear minha comparação pelo cabeçalho dos dois (todo o código contigo entre as tags <head> e </head>).

 

[A] Cabeçalho descritivo – Técnicas SEO do Viva Real

<title>Casa com 2 Quartos, Vila Ipê, Campinas – R$ 360.000, 102 m² – ID: 42098052 – VivaReal</title>

<meta name=”description” content=”Compre Casa com 2 Quartos, Vila Ipê, Campinas por R$ 360.000. Possui um total de 102 m², 3 Vagas de carro. Fale com Mega Imob.”/>

<meta property=”og:title” content=”Casa com 2 Quartos, Vila Ipê, Campinas – R$ 360.000, 102 m² – ID: 42098052 – VivaReal” />

<meta property=”og:description” content=”Compre Casa com 2 Quartos, Vila Ipê, Campinas por R$ 360.000. Possui um total de 102 m², 3 Vagas de carro. Fale com Mega Imob.” />

 

[B] Cabeçalho descritivo – Técnicas SEO do Canal do Imóvel

<title>Casa residencial &agrave; venda, Vila Ip&ecirc;, Campinas. – Canal do Im&oacute;vel</title>

<meta name=”descriptioncontent=”Mais informa&ccedil;&otilde;es Residencial Casa para Venda em S&atilde;o Paulo – Campinas e Regi&atilde;o Campinas, de Mega Imob, ref. CA0287, no canaldoimovel.com.br. ” />

<meta name=”keywordscontent=”Casa para Venda, S&atilde;o Paulo – Campinas e Regi&atilde;o, Campinas, &Aacute;rea 400, 2 dormit&oacute;rios, Mega Imob, R$ 360000, search, find, property, listing, Brazil, canaldoimovel.com.br” />

 

Vamos às considerações:

1. Repare que o tipo de encoding usado em [B] segue um padrão ISO-8859-1 (mesmo que não especificado no meta charset). Isso é visível, pois os caracteres especiais estão “encodados” em código HTML. Não há nenhum problema nisso, mas o site peca por não usar esse padrão dentro do restante do conteúdo. Quero dizer que no cabeçalho está escrito “&Acute;rea” e no corpo do site está como “Área”. Se você escolhe um padrão de encoding, deve continuar com ele em todo o site (referência: http://www.seoinc.com/seo-blog/does-charsetutf-8-or-iso-8859-1-matter-for-search-engine-optimization/).Por outro lado o caso [A], permanece com o encoding escolhido em todo o site. Ponto positivo.

 

2. A tag <title> tanto do caso [A] quanto do caso [B] descreve sem repetição o título da página, dando uma visão clara para o usuário e para o motor de busca do que se trata aquele conteúdo. Ponto positivo para ambos. A única ressalva pessoal (não é um aspecto técnico) é que no caso [A] há mais informação sobre o imóvel, pois fala sobre os quartos e metragem. No caso [B] é informado apenas que está à venda uma casa, num bairro X e numa cidade Y.

Uma observação interessante feita pelo colega Tárcio Zemel (https://plus.google.com/u/0/114896277363762090056/posts), é que no caso [A] existe a menção do ID específico do imóvel neste site. Não se trata do código de referência original da imobiliária. Primeiramente, esse dado não seria tão relevante para o Google. Em segundo lugar o site [A] corre um risco de ultrapassar o limite de 70 caracteres da tag <title>, recomendado pelo Google. No caso [B], foi incluído o código da imobiliária, o que já é mais relevante, mas ainda assim poderia também ser omitido do título. Acredito que esse dado deveria ficar somente no corpo da página, bem destacado e usado obviamente para buscar internas e não para SEO.

 

3. Na meta desciption do caso [A] é informado de forma natural o tipo de imóvel, quantidade de quartos, bairro, metragem e valor. A chance de um usuário do Google encontrar esta casa é muito maior, pois ele costuma digitar 1 ou mais dados deste tipo para encontrar um imóvel.

Consequentemente, o Google dará mais relevância para este conteúdo e indexará a página com um ranking muito maior do que o caso [B] que novamente informa apenas o bairro e cidade do imóvel, além da sua modalidade (venda ou locação). Ponto positivo para o caso [A].

 

4. O Google já declarou em atualizações anteriores de seu algoritmo de busca, que não faz mais uso da meta keywords. Alguns motores de busca ainda usam e não podemos ignorá-los, porém a tendência é que elas sejam abolidas no futuro. Sendo assim, ainda considero um ponto positivo para o caso [B] por usar as keywords por levar em consideração outros motores de busca.

 

5. As tags utilizando o recurso do Open Graph (http://itprism.com/blog/19-opengraph-microformats-semantic) são ótimas para indexar conteúdo social na amostra [A].

A página acaba se tornando mais fácil de ser lida principalmente pelo Facebook. O Google+ usa a mesma lógica do motor de busca do Goolge, portanto para ele basicamente “tanto faz”. Mas sabemos bem que no Brasil o Facebook é muito forte e devemos levar isto em consideração na hora de criar os cabeçalhos, para que eles sejam amigáveis com o compartilhamento. Ponto positivo para o caso [A].

Conclusão

Esta foi uma análise inicial de como pequenos detalhes fazem grande diferença na hora de angariar usuários oriundos de busca orgânica. O fato é que são dois ótimos sites, com conteúdo claro e objetivo. Os possuem uma diferença invisível aos olhos dos usuários comuns e talvez até mesmo para os gestores comerciais do portal [B], mas que faz uma diferença tremenda para os olhos dos “robozinhos” que fazem as buscas para nós.

 

Não sou dono da verdade, até porque SEO não é uma ciência exata em alguns pontos e muda o tempo todo. Por isso estou aberto à críticas e sugestões para melhorar este
artigo.